domingo, 6 de março de 2011

VOAR, V OAR, V O A R, V O A R. [2]

Foi assim, aconteceu, num pôr-do-sol, tu só não sabes que naquela tarde tinha o poder célebre do meu eu, um coração socado.

Ela levava as mãos na boca, para morder as juntas dos dedos, tentava lembrar daquele cheiro... que não existiu, mas indubitavelmente fora importante para ela.
Observava com tristeza que o escuro do seu quarto lembrava ele. As formas que se faziam à sua frente: ele.
Não tinha ideia porque não sentia as batidas do seu coração, até ouvir o estalar do ponteiro do relógio querendo o silêncio do vazio.
  —  São seis da manhã?
          Ela não dormirá.

Denunciará a si mesma para estar com ele, pensava todos os minutos de como a vida era amarga, nostalgica, sua fome por ele: grande, insaciável

Até o ponto que o amor lhe subia para a cabeça, e tinha decidido devorá-lo.

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