domingo, 6 de março de 2011

Autran Dourado.

Se não fizesse nada, se cultivasse a dor, tinha certeza que não lhe restaria outro caminho se não embrenhar, no mundo, virar coisa, morrer.
Como sentiu que precisava fazer algo, começou a pensar no que deveria fazer.
Tomou uma decisão, que machucaria quem ela mais amava, mais não]

Ela irá ruminar sua vida e sua dor sem ele... e que se repete.

         O grande ressentimento que se afunda dentro de mim.
          E que amor seria mais triste e dolorido que o nosso?

 A vida que continua é só uma
 A sua continua.

VOAR, V OAR, V O A R, V O A R. [2]

Foi assim, aconteceu, num pôr-do-sol, tu só não sabes que naquela tarde tinha o poder célebre do meu eu, um coração socado.

Ela levava as mãos na boca, para morder as juntas dos dedos, tentava lembrar daquele cheiro... que não existiu, mas indubitavelmente fora importante para ela.
Observava com tristeza que o escuro do seu quarto lembrava ele. As formas que se faziam à sua frente: ele.
Não tinha ideia porque não sentia as batidas do seu coração, até ouvir o estalar do ponteiro do relógio querendo o silêncio do vazio.
  —  São seis da manhã?
          Ela não dormirá.

Denunciará a si mesma para estar com ele, pensava todos os minutos de como a vida era amarga, nostalgica, sua fome por ele: grande, insaciável

Até o ponto que o amor lhe subia para a cabeça, e tinha decidido devorá-lo.

VOAR, V OAR, V O A R, V O A R. [1]

Eu tentei. Por um motivo incontrolável e tão injusto que me contorce a alma, abaixa a minha cabeça, a ânsia fatal dentro de mim, que me fez ficar de joelhos, tão desajeitada me vendo nos olhos dos outros.

—  Você vê? A tristeza consumiu-a, não lhe sobraram boca, barriga, pernas, olhos... "Lembro-me como se fosse ontem"]

Não meu guapo cavalheiro, foi só um instante. O momento:

Ela usava um vestido azul, cor-do-céu. Seus dedos entrelaçados nos dedos dele e ela perceberá, realmente que não poderia andar mais com suas próprias pernas, que a essência de tudo estava como quando raios de sol os iluminava, deixando os seus olhos, cabelos, tons de dourado...

      O rosto iluminado dele, um garoto branco de olhos verdes, que a abraçava pela cintura e o seu telefone, pessoas e sonhos não o paravam de chamar.




Ela e os seus olhos à deriva.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

[As cartas de amor que não mando...]

Cansada, cansada; Quase não dormi. E não consigo tirar você da minha cabeça!
Estou te escrevendo porque não consigo te tirar da minha cabeça. Hesito em dizer qualquer coisa do tipo "perdoe-me" ou  qualquer coisa assim.

E porque todas as cartas de amor são ridículas, palavras por mais belas que sejam não podem voltar naquela véspera de São João. Lembro, com ressentimento, que fui a primeira pessoa que o viu quando entrou, numa insignificância que deixou meus olhos baixos.

Minha única certeza é que aumenta a minha necessidade de você.
Na minha memória congestionada - e no meu coração tão cheio de marcas e poços -  você costumava ocupar o lugar mais bonito.


Me bagunça
e chove em
mim
todo os dias.